07.2008
CACIPORÉ TORRES - A INVENÇÃO DO REAL no Espaço Cultural Citi - de 7 de julho à 10 de agosto

Espaço Cultural Citi da Avenida Paulista expõe   14 obras inéditas do premiado escultor paulista

Escultor que tem o maior número de obras em espaços públicos no Brasil – até o momento, exatamente 83 esculturas em diversas cidades -, o paulista Caciporé Torres leva 19 trabalhos, sendo 14 inéditos, para o Espaço Cultural Citi da Avenida Paulista, a galeria pública que, atravessando o prédio do Citi, liga a Avenida Paulista à Alameda Santos, e é visitada mensalmente por cerca de 50 mil pessoas.

Com curadoria do crítico Jacob Klintowitz, a mostra A Invenção do Real abre em 7 de julho e permanece até 22 de agosto.

Caciporé Torres é o único escultor brasileiro que participou de oito bienais no Brasil e no exterior, recebendo cinco Grandes Prêmios pelo seu extraordinário trabalho. Para o crítico Enock Nascimento, "artista de forte personalidade, com uma linguagem escultórica própria, que se afasta desusadamente dos padrões que estamos acostumados a ver, Caciporé produz uma obra monumental, mesmo quando de dimensões menores, rigorosamente planejada, que ora sintetiza um gesto torturado, um grito parado no ar, uma expansão controlada e bela em forma áspera e rude, ora as delicadas relações de forma, volume e espaço”.

Curador da mostra, Jacob Klintowitz diz no texto do catálogo, “Depois de muitos anos o artista volta a fazer uma exposição individual. Nesta sua ausência, Caciporé tornava-se presente através de obras de grande porte destinadas a espaços públicos. A sua volta nos traz um material mais suave e dócil, o bronze. As formas se encaminham para uma preocupação estética mais elaborada e o artista joga com planos, oposições e ritmos, diálogo entre a superfície plana e o volume e, principalmente, se estabelece no seu trabalho uma extraordinária discussão das questões escultórias.”

O Espaço Cultural Citi renova assim a sua vocação de mostrar obras de arte no centro vital de São Paulo. Desde 2005, passaram por ali nomes consagrados, como Rubens Gerchman, Luiz Paulo Baravelli, Cláudio Tozzi, Gregório Gruber, Romero Britto, Newton Mesquita, Ivald Granato, Takashi Fukushima a ceramista Shoko Suzuki, entre outros.

O Espaço Cultural Citi (Av. Paulista, 1111, térreo, fone 11 4009 3000) fica aberto para visitação de segunda a sexta-feira, das 9 às 19 horas; aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 17 horas. Acesso a portadores de deficiência física pela Alameda Santos, 1146. A entrada é gratuita.

Caciporé Torres, por Jacob Klintowitz

"Durante muito tempo Caciporé Torres trabalhou com materiais duros e pesados, como o ferro. Sua obra também era feita de durezas e rigores. Uma superfície escolhida e planificada, estendida, em desenvolvimento, e como se fossem erupções, cones e formas que surgiam e se destacavam. Placas e saliências, costuras no metal, qualquer coisa de aparência muito industrial, muito íntegra, de personalidade marcada, áspera e definitiva. Um artista desta época, um artista de centro industrializado. Um homem que assistiu e se formou num século que viu duas guerras mundiais, a reformulação política de continentes inteiros, guerras de extermínio, guerras localizadas, povos sem terra, multidões de exilados, natureza destruída, rios mortos, regiões contaminadas e radioativas. E viu, igualmente, o homem na lua, o desenvolvimento da psicologia, a revalorização da emoção, a retomada do humanismo, as lutas solidárias pelos homens perseguidos, o ressurgimento do sagrado.

Caciporé Torres é o sensível homem e artista deste período. 0 que se expressa nas formas torturadas de sua escultura e, igualmente, no respeito ao fazer e ao rigor formal da arte. A identificação da tortura e a fé no trabalho do homem. Por aproximação espiritual, ele estaria ligado a artistas como Giacometti, Bacon, Chadwick. No Brasil, há longos anos Caciporé representa uma presença marcante, signo e símbolos de um caminho para o qual o pais caminha, consciência altiva da necessidade do urbano e figura significativa da atividade cultural.

Caciporé Torres preocupa-se e nos expõe a questâo monumentalidade e, mais uma vez, fica demonstrado que monumentalidade tem a ver unicamente com a proporção entre as diversas partes, e não com o tamanho. A outra discussão que o seu trabalho coloca e o resultado que se obtém com a oposição de ritmos e planos. Nestes trabalhos, Caciporé homenageia obras e escultores, retomando temas e recolocando-os em pauta. É necessário notar, ainda, que o escultor permanece fiel e coerente com as suas principais preocupações, os volumes, as matérias laceradas, as interrupções de ritmos. Trata-se de realizar o projeto de um símbolo, a construção de um monumento ao século vinte."

Caciporé Torres – Destaques

Principais Individuais

  1955 - Museu de Arte de São Paulo, SP

  1957 - Terry Clune Gallery, Sidney, Austrália.

  1964 - Galeria Atrium, SP.

  1969 - Galeria Mirante das Artes, SP.

  1971 - MASP.

  1980 - Galeria Arte Aplicada.

  1982 - Galeria Singular, Porto Alegre.

  1989 - Museu Brasileiro da Escultura (pré-inauguração).

  1989 - Exposição em Washigton, USA.

  1999 - Galeria Casa da Fazenda, SP.

Principais Coletivas

  1951 - I Bienal Internacional de São Paulo - Prêmio Viagem à Europa.

  1954 - II Bienal Internacional de São Paulo - Prêmio Aquisição do Museu de Arte Moderna, SP.

  1955 - Bienal Veneza, Itália.

  1956 - III Bienal Internacional de São Paulo.

  1957 - Maison D´Amerique Latine, Paris, França.

  1958 - VI Bienal Internacional de São Paulo.

  1960 - VIII Bienal Internacional de São Paulo - Prêmio Itamarati.

  1972/75/78/88 - Panorama da Arte Atual Brasileia, MAM, SP.

  1976 - Bienal dos Jovens, Paris, França.

  1978 - Quadrienale de Roma, Itália.

  1979 - Sculpture in Exhibition, Budapeste, Hungria.

  1983 - 50 Anos de Escultura no Espaço Urbano, Globo/Funarte.

  1984 - O Objeto Inusitado, Museu de Imagem e do Som, SP.

  1987 - Mostras - Paulistas em Brasília, DF.

  1994 - Brasil Século XX, Fundação Bienal, SP.

  1987 - Mostras - Paulistas em Brasília, DF.

Principais Prêmios

  Prêmio de Viagem à Europa da I Bienal de São Paulo.

  Salão Abril, MAM/Rio.

  Salão de Arte Moderna, Brasília, DF.

  Prêmio APCA de melhor escultor 1980/82.

Principais Coleções Públicas

  Museu de Arte de São Paulo, SP

  Museu de Arte Contemporânea, SP.

  Museu de Arte Moderna de São Paulo, SP.

  Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, RJ.

  Biblioteca Pública Municipal de São Paulo, SP.

  Museu de Arte Brasileira, SP.

  Metrô Santa Cecília, SP.

  Praça da Sé, SP.

  Edifício CBN-Av. Jucelino K., SP.

  Edifício Boti-Rubin - Av. Berrini, SP.

Principais Obras Públicas

  Palácio das Convenções do Anhembi, SP

  Palácio dos Bandeirantes, SP.

  Fundação Carlos Chagas, SP.

  Fundação Cultural do Distrito Federal, Brasília, DF.

  Ministério do Trabalho, Brasília, DF.

  Prefeitura de Sorocaba, SP.

  Praça da Sé.

  Praça Eurico Gaspar Dutra, Rio Branco, AC.

  Auditório Folha de São Paulo, SP.

  Auditório Esporte Clube Pinheiros, SP.

  Shopping Center Ibirapuera e Morumbi, SP.

  Estação de Metrô Santa Cecília, SP.

  Painel Escultórico, Miami, USA.

Citi
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