05.2008
Na Sé, Renina Katz celebra 82 anos presenteando o público com uma seleção de três décadas de gravuras
No ano em que a celebrada artista plástica Renina Katz comemora seu 82º aniversário, a CAIXA Cultural promove, de 30 de maio a 6 de julho, a exposição “Doação da Artista ao Museu Nacional de Belas Artes -
Renina Katz – Gravuras”, que reúne 82 obras selecionadas entre as 112 doadas por ela ao Museu Nacional de Belas Artes em 2004. A entrada é franca.
Com curadoria de Laura Abreu, do Gabinete de Gravura do Museu Nacional de Belas Artes, e de Sérgio Pizoli, a mostra presenteia o público com uma seleção de seus estudos e gravuras, dentre as quais se destacam as séries Ode ao negro, Cárceres, Territórios imaginários e O vermelho e o negro. A doação ao Museu Nacional de Belas Artes é uma escolha especial de Renina, homenageando o local onde, nos anos 50, iniciou seu aprendizado artístico.
Esta cessão de trabalhos feita pela artista ao Museu Nacional de Belas Artes veio complementar a coleção de obras de sua autoria que já existe na instituição.
As obras desta exposição são datadas de 1970 a 2000, em duas técnicas diferentes, litografias e gravuras em metal. Entre as gravuras concluídas, assinadas e numeradas, encontramos provas de estado, estágios que documentam o processo de criação de uma gravura. “Para as litografias, há os desenhos preparatórios, a lápis de cor ou caneta esferográfica, que antecedem o trabalho na pedra litográfica, utilizando-se papel transparente, próprio para o registro de cada cor componente do projeto e para o estudo das velaturas dessas cores; nas margens, há anotações coloridas para indicar ao impressor a cor pretendida”, explica o curador Sérgio Pizoli.
Já nas gravuras em metal, cada prova de estado traz as diferentes etapas da gravação na chapa metálica: a cada intervenção da artista - seja com o ácido, que determina nuances de pretos e cinzas, seja com as ferramentas da gravação, para intensificar ou atenuar detalhes gráficos - é realizada uma impressão sobre um diferente tipo de papel; algumas gravuras têm até quinze provas de estado, o que demonstra o grau de trabalho e procura para sua resolução final, que só se encerra na BPI, enfim, a gravura Boa Para Imprimir.
A curadoria elegeu a proposta didática, que se encontra integrada à doação da artista e trabalhou muito na demonstração do processo gráfico como um todo, privilegiando as características de cada técnica. Segundo a curadora Laura Abreu, “Renina quis compartilhar conosco e com as gerações que virão alguns momentos de sua criação. É um privilégio.”
Valorizou também as séries dos anos 70, nas quais ‘Cárceres’ e ‘O vermelho e o negro’ são verdadeiras bandeiras estéticas levantadas contra o rigor político da época. “Quando se tem acesso aos pequenos cadernos de anotações de Renina, uma espécie de berçário de sua produção, é possível encontrar, junto a desenhos e sketches em pequena dimensão, várias citações de filosofia e de literatura; as influências são muitas e variadas; os processos de anotações, ali, cruzam-se entre as imagens grafadas e os textos manuscritos; as cores começam a surgir como notações musicais, outra das grandes paixões de Renina, que adora ouvir Mozart enquanto trabalha”, ressalta Pizoli.
Renina tem doado seus trabalhos para várias instituições. Em São Paulo , a Pinacoteca do Estado, o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo e o Museu de Arte Moderna também foram agraciados. A doação sempre segue um princípio didático, no qual seqüências de ‘provas de estado’ demonstram uma gravura em progresso.
A exposição “Doação da Artista ao Museu Nacional de Belas Artes
Renina Katz – Gravuras” ficará em cartaz de 30 de maio a 6 de julho de 2008, na CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111). O horário de visitação é de terça a domingo, das 9h às 21h. A entrada é franca. A mostra esteve em cartaz na CAIXA Cultural do Rio de Janeiro e após São Paulo, seguirá para Brasília (11 de julho a 17 de agosto). Mais informações podem ser obtidas pelo público pelo telefone (11) 3321-4400 ou no site www.caixacultural.com.br.
A importância de Renina para a gravura
Renina, há mais de 60 anos, dedica-se quase diariamente ao trabalho de gravar; defendeu o Brasil em várias Mostras e Bienais Internacionais e recebeu vários prêmios, como a sala especial na Bienal de Havana; também atuou, por muito tempo, como orientadora e professora universitária, além de participar de conselhos em instituições culturais.
A artista estudou xilogravura com Axl Leskoschek, gravador austríaco que, fugindo da guerra, aportou no Rio, no final dos anos 40; grande mestre e ilustrador, Axl passou para os seus alunos a importância de artistas que demonstravam as diferenças sociais em sua obra, como Kathe Kollwitz; outra grande influência na obra de Renina é Edward Munch.
No final dos anos 50, Renina voltou-se para uma produção distante dos confrontos sociais e de temas como favela, imigrantes, trabalhadores, etc.. Seu figurativismo contempla a paisagem (produto de sua admiração por Turner!) como fonte indiscutível de trabalho, e que se retoma a cada obra, sempre inovadora e surpreendente.
Renina faz parte da geração de gravadores que faz surgir o movimento da gravura no Brasil. Costuma eleger entre os jovens gravadores, os possíveis ‘defensores’ da gravura que continuaram sua luta; publica, em pequenas tiragens, álbuns de gravuras, feitos em parcerias com estes artistas; é o caso de Feres Khouri, Sergio Fingerman, Nori Figueiredo, Helio Vinci e outros.
Renina Katz, Artista.
Premiada aluna de Axl Leskoschek (xilogravura), 1946/47, e de Carlos Oswald (gravura em metal), 1950, no Liceu de Artes e Ofícios do Rio de Janeiro, Renina apresenta um figurativismo de intensa conotação social; expressiva como Käthe Kollwitz, enobrece a condição dos operários, imigrantes e camponeses, através do requinte gráfico de suas xilogravuras e linóleos. Este ativismo, sempre presente nas relações com a vida, leva-a a representar o Brasil em diversas Bienais : Bienal de Veneza, em 1956 e 1986, as III, V, VI, VII Bienais de São Paulo; Bienal de Lubliana, Ioguslávia, Bienal de Havana – sala especial em 1986 e nas principais mostras de gravuras mundiais: Xylon II, na Suíça, Museu Albertina, na Áustria e na Fundação Calouste Gulbenkian, Portugal, em 1975, 1979, 1988; na mesma instituição, em 1993, integra a exposição Gravuras e Matrizes Brasileiras da Biblioteca José e Guita Mindlin, retomada no Centro Cultural FIESP, em 1998.
Em paralelo à produção artística, Renina tem participação intensa na carreira didático-acadêmica; além de orientar vários dos gravadores atuais, sua tese “prática” de doutorado, Lugares, defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo, discorre contra os procedimentos teóricos e trâmites usuais, ao apresentar um trabalho não-verbal, com treze litografias originais, que compõem “um grafismo sensível”, no texto de Radhá Abramo. E é sempre a paisagem – a de Ouro Preto, no Romanceiro da Inconfidência, ilustrando o poema de Cecília Meireles, em edição recente, EDUSP, 2004; “a aparência de paisagem” (por Maria Bonomi); “paisagem cantante”, (por Carlos Drummond de Andrade) – entrando eficaz na vida e na obra de Renina Katz.
Homenageada recentemente em São Paulo , inaugura o Gabinete de Gravuras da Pinacoteca do Estado, tem presença efetiva em Conselhos de Instituições Culturais e como gravadora e curadora na mostra Rio Gravura, em 1999, entre outras; no mesmo ano, organiza com Amélia Hamburguer, o livro sobre o amigo Flávio Império, EDUSP e vem compartilhando álbuns de gravuras, com artistas como Feres Khoury, Nori Figueiredo e Sérgio Fingermann, além da produção constante de gravuras e aquarelas.
Esta exposição, através do interesse conjunto da Caixa Cultural e do MNBA, intenta homenageá-la em seus 82 anos, com o mesmo dinamismo, poesia e compromisso. Assim seja.
Por Sérgio Pizoli, curador
Serviço:
O quê: Exposição “Doação da Artista ao Museu Nacional de Belas Artes -
Renina Katz – Gravuras”
Quando: de 30 de maio a 6 de junho, de terça a domingo, das 9h às 21h
Onde: CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111)
Quanto: grátis
Abertura para imprensa e convidados: dia 29 de maio, às 19h
Recomendação de faixa etária: livre
Informações: (11) 3321-4400
Realização: CAIXA Cultural
Patrocínio: CAIXA Econômica Federal
Acesso e sanitários para pessoas com necessidades especiais
Serviço de monitoria
Assessoria de Imprensa
Caixa Econômica Federal
CAIXA Cultural – (São Paulo/SP)
Fone: (11) 8493-3662 e 3321-4400 – paulamartinvi@yahoo.com.br
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