05.2008
Arrigo apresenta composição inédita no CCBB, no dia 20 de maio

O Centro Cultural Banco do Brasil apresenta Crisantemúsica! Reflexos da Imigração Japonesa
de 20 de maio a 24 de junho de 2008

Entre os dias 20 de maio e 24 de junho, o Centro Cultural Banco do Brasil apresentará a série Crisantemúsica! Reflexos da Imigração Japonesa – um panorama da influência da cultura do Japão na música brasileira, em 6 espetáculos distintos que reunirão cerca de 40 músicos. A primeira apresentação, no dia 20 de maio, será a premiére da peça ‘Viver’, composta por Arrigo Barnabé especialmente para o evento, que será executada pelo Ensemble formado por: Heitor Fujinami (violino), Paulo Braga (piano) e Kitty Pereira (koto - espécie de harpa ‘horizontal’ com treze cordas). Além da influênica da música contemporânea japonesa de Minoru Miki, ‘Viver’ também  traz referências do filme de mesmo nome, de Akira Kurosawa.

A música, assim como outras manifestações artísticas no Brasil, tem recebido influência da cultura japonesa nestes 100 anos de imigração. Para apontar estes Reflexos da Imigração Japonesa na música brasileira, Arrigo Barnabé, reconhecido por reunir em seu trabalho tanto a música popular urbana quanto a música erudita contemporânea, aceitou o convite para ser curador desta série e o desafio de elaborar uma programação musical que sintetiza a riqueza e influência dessa música tão peculiar.

O Crisantemúsica! reunirá desde peças tradicionais populares da cultura japonesa executadas por um quinteto formado por nisseis e imigrantes, passando pela experiência de um brasileiro que viveu no Japão e aprendeu a tocar instrumentos tradicionais e os incorpora à música popular brasileira, até a música contemporânea do Japão executada por músicos brasileiros, além de duas composições inéditas, criadas especialmente por Mário Manga (Variações Massao Hata) e Arrigo (Viver).

Aliás, o termo Crisantemúsica! também foi criado por Arrigo, inspirado no Crisântemo, que significa flor de ouro, e que por lembrar o sol nascente se tornou um dos símbolos do Japão, e também pela poesia de Haroldo de Campos, que em seu livro Crisantempo (1988) reverencia a literatura global trafegando por universos distintos da tradição poética do ocidente e oriente, reunindo peças inspiradas em viagens, inclusive ao Japão.

Crisantemúsica! é também uma homenagem do Centro Cultural Banco do Brasil nestes 100 anos de imigração japonesa. “Celebrar essa data numa cidade multiétnica como São Paulo não é apenas participar do calendário comemorativo do centenário, mas principalmente ressaltar a importante contribuição cultural dos japoneses na formação da cultura nacional”, reforça Marcelo Mendonça, diretor do CCBB.

Programação:

de 20/5 a 24/6 - toda terça-feira em duas sessões - às 13h e 19h30

20/5 Arrigo Barnabé

Premiére da peça ‘Viver’, composta por Arrigo especialmente para o evento. Influenciado pela música contemporânea japonesa de Minoru Miki desde a primeira audição de ‘Paraphrase After Ancient Japanese Music’ nos anos 70, Arrigo compôs ‘Viver’, que também  traz referências do filme de mesmo nome, de Akira Kurosawa. Executada pelo Ensemble formado por: Heitor Fujinami (violino), Paulo Braga (piano) e Kitty Pereira (koto - espécie de harpa ‘horizontal’ com treze cordas).

27/5 Camilo Carrara; e Quinteto de Música Tradicional Japonesa Tamie Kitahara

Violonista, arranjador, compositor e produtor, Camilo Carrara fez uma intensa pesquisa sobre o cancioneiro nipônico e lançou, em 2004, o cd ‘Canção do Sol Nascente’. Com uma interpretação pessoal, alternando entre a sonoridade do violão de nylon e o de aço com uma afinação especial, Camilo imprimiu um toque brasileiro e contemporâneo, sem perder a essência oriental destas canções. Camilo interpretará composições japonesas especialmente transcritas para o violão, entre elas clássicos como Aka Tombo (A libélula vermelha) e Sakura (A cerejeira).

Na segunda parte, formado por Tamie Kitahara e Álvaro Nishikawa (shamisen - instrumento com três cordas tocadas com palheta e jushitguen - koto de dez cordas), Fernando Neves e Kitty Pereira (koto) e Mary Saito (shakuhachi), o Quinteto apresentará peças como ‘Kuro Kami’, do século 18, em que se poderá conhecer a música tradicional popular japonesa. Nascida no Japão, Tamie Kitahara é presidente do Grupo Seiha Brasil de Koto e tem se dedicado na formação de alunos, principalmente jovens e crianças. Álvaro Nishikawa e Mary Saito se dedicam ao estudo da música e dos instrumentos tradicionais japoneses desde a infância; Fernando Neves é bacharel em violão erudito e iniciou os estudos de Koto com Tamie Kitahara, assim como Kitty Pereira, pesquisadora de música étnica que organizou e dirigiu o grupo Mawaka.

03/6 Ricardo Bologna

Com especialização em marimba no Conservatório de Rotterdam (Holanda), o percussionista apresentará peças de importantes nomes da música contemporânea japonesa como Minoru Miki (‘Marimba Spiritual’), Tokuhide Niimi (‘For Marimba I’), Maki Ishii (‘Thirteen Drums’) e Keiko Abe (‘Wind Sketch’). Bologna será acompanhado pelo Grupo de Percussão da USP, formado por César Masano Cavalotti, Fábio Manzione Ribeiro e Gíldon Cardoso.

10/6 Livio Tragtenberg

Compositor, diretor de espetáculos multimídia, produtor musical e saxofonista, Livio Tragtenberg se apresentará com a Orquestra de Músicos das Ruas de São Paulo, numa homenagem à imigração japonesa, através de seus membros Reiko Nagase (koto) e Yuko Ogura (sanguen - espécie de banjo) como solistas. No repertório, baseado no cd ‘Neurópolis’ lançado pela Orquestra em 2007, canções como ‘Um Sonho’ (L. Tragtenberg), ‘Otiba’ (melodia tradicional japonesa) e ‘Sin principio ni fin’ (L. Tragtenberg), em que se ouvem as diversas culturas imigrantes e migrantes, do koto e da harpa paraguaia até os emboladores.

17/6 Luis Afonso Montanha; e Mário Manga e Quarteto Aydar

Clarinetista da Orquestra Sinfônica Municipal de São Paulo e integrante de grupos como o Quinteto de Clarinetes Sujeito a Guincho e o Duo Clarones (com o professor Henri Bok da Holanda), Luis Afonso, que também se apresenta como camerista no Brasil e exterior, executará peças da música contemporânea japonesa compostas para clarineta. Entre elas: ‘Clarinete Solitud’ (Joji Yuasa), ‘Three Pieces’ (Keiko Fujiie) e ‘Fary Ring’, peça de Tokuhide Niimi para clarineta e piano, em que será acompanhado pela pianista Karin Fernandes.

Na segunda parte, o guitarrista Mário Manga, formado em Composição pelo Departamento de Música da ECA/USP e fundador dos grupos “Premeditando o Breque” e “Musica Ligeira”, apresenta a inédita ‘Variações Massao Hata’, composta originalmente para o projeto, acompanhado pelo Quarteto Aydar: Márcia Fukuda Uhlemann (violino 1), Heitor Fujinami (violino 2), Marcos Fukuda (viola) e Ricardo Fukuda (cello).

24/6 Shen Ribeiro

A experiência de um brasileiro vivendo como imigrante no Japão. Shen Ribeiro partiu para Tóquio para especializar-se no estudo do shakuhachi (instrumento de sopro com o corpo de bambu Madake e cinco orifícios) e cultura tradicional japonesa, ingressando na Universidade de Belas Artes de Tóquio, onde foi discípulo direto do professor e mestre Goro Yamaguchi (considerado um Tesouro Nacional Japonês). Em 1999, tocou shakuhachi para o imperador e a imperatriz do Japão, no Palácio Imperial de Tóquio. Voltou ao Brasil, onde incorpora essa experiência à vivência da música popular brasileira. Com Shen Ribeiro (shakuhachi) estarão Laércio de Freitas (piano), Camilo Carrara (violão) e Vinicius Pereira (baixo), que farão um repertório que vai da música original para shakuhachi, ‘Honkyoku’, passando por clássicos da música brasileira como ‘Dindi’ (T.Jobim/Luis Olivieira), ‘Manhã de Carnaval’ (Luis Bonfá) e ‘Amor em Paz’ (T.Jobim/Vinicius de Moraes).

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