04.2008
PIERRE VERGER NO JAPÃO, ANOS 30; DESCAMPS E DESPREZ, ANOS 90: DUAS MOSTRAS DE FOTO TRAÇAM PARALELO HISTÓRICO DO PAÍS

Pierre Verger e Bertrand Desprez/Bernard Descamps: duas exposições inéditas no Brasil trazem olhares de fotógrafos franceses de ontem e de hoje sobre o Japão

Em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa no Brasil, a CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111) promoverá, a partir de 19 de abril, duas exposições inéditas no país: “O Japão de Pierre Verger – Anos 30” e “O Japão de Descamps e Desprez – Anos 90”,que trazem 200 imagens produzidas sobre o Japão pelo respeitado fotógrafo-etnólogo Pierre Verger  (1901-1996) – 100 fotos em preto-e-branco - e por dois grandes nomes atuais da fotografia francesa, Bertrand Desprez (50 fotos coloridas) e Bernard Descamps – (50 imagens p/b). A entrada é franca.

O projeto é uma homenagem da França aos 100 anos de imigração japonesa que ocupará galerias em dois andares da CAIXA Cultural. A galeria D.Pedro II, no térreo, abrigará a retrospectiva inédita de fotos de Pierre Verger, tiradas nos anos 30 no Japão. Na Galeria Humberto Betetto, no 2º andar, serão apresentadas fotografias que Desprez e Descamps fizeram naquele país nos anos 90. São exposições que se complementam ao mostrar os contrastes e modificações nos 60 anos que separam esta linha do tempo fotográfica de uma nação que tanta influência imprimiu à cultura brasileira, especialmente em São Paulo.

Trata-se de um tributo que aproxima e irmana as culturas brasileira, japonesa e francesa, uma relação que se dá pela imigração e pela adoção do Brasil como a nova morada para milhões de japoneses e para o próprio Verger, que fez da Bahia seu lar, em ambos os casos em períodos pós-guerra. Os fotógrafos Descamps e Dresprez virão ao Brasil e ministrarão palestras abertas ao público sobre seus trabalhos durante a permanência das mostras.

As exposições “O Japão de Pierre Verger – Anos 30” e “O Japão de Descamps e Desprez – Anos 90” ficarão em cartaz na CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111) de 19 de abril a 25 de maio. O horário de visitação é de terça a domingo, das 9h às 21h. A entrada é franca. Mais informações podem ser obtidas pelo público pelo telefone (11) 3321-4400 ou no site www.caixacultural.com.br.

As exposições:

O Japão de Pierre Verger – Anos 30

Com curadoria de Alex Baradel, da Fundação Pierre Verger, a exposição inédita apresenta imagens realizadas pelo fotógrafo que representam um raro testemunho do Japão no período entre guerras, numa época em que a ilha parecia ainda mais distante do resto do mundo devido à raridade das viagens aéreas. Foram poucos os fotógrafos que se aventuraram para registrar o dia-a-dia na terra do sol nascente. Ainda menos numerosos eram aqueles que por lá passaram apenas para registrar cenas cotidianas de um país dividido entre suas fortes influências tradicionais e sua fulgurante ascensão ao mundo moderno.

Em menos de um mês, Pierre Verger registrou as grandes cidades japonesas durante uma viagem ao redor do mundo a serviço do Jornal France-Soir. Depois de atravessar os Estados Unidos, e ainda em dúvida sobre sua competência como fotógrafo, chegou ao Japão. Ele tinha apenas dois anos de experiência em fotografia e esta viagem significou para ele sua primeira experiência profissional.

Curiosamente, a maioria destas fotos manteve-se, até hoje, inédita. Este período é considerado de extrema liberdade, no qual ele hesita, procura, experimenta, começando a descobrir novos temas e assuntos que o acompanhariam no futuro. Registrou as ruas da capital, as vitrines, o mercado, riquixás, fachadas de lojas. À noite, aproximava-se de locais menos familiares como casas de prostituição e bares suspeitos. Clicou também lugares chiques, assistiu a apresentações de teatro chinês e freqüentou os lugares mais tradicionais da nobreza japonesa.

Em 100 imagens selecionadas entre cerca de mil realizadas em Tókio, Kioto, Nara, Nikko e Oshima percebe-se claramente o choque entre dois extremos: o mundo mundano e aquele da rua, aquele a que esteve acostumado durante toda sua vida - Verger, que foi educado num meio rico e mundano, procura no início dos anos 30, através da viagem e da fotografia, fugir de um ambiente de facilidades que não o atraía.

Seu trabalho alterna fotografias realizadas na alta sociedade japonesa com imagens de locais miseráveis ou pouco recomendáveis. É interessante notar a diferença como ele trata os dois lados: realiza diversas fotografias posadas e limpas no primeiro caso e imagens muito mais vivas e instantâneas nos meios populares. Em sua vida, como em seu estilo fotográfico, ele optará por seguir a espontaneidade. Outro dado interessante é o contraste que ele apresenta entre o Japão tradicional e o  moderno, aquele dos kimonos e guerreiros e este (à época dos anos 30), dos carros e da rapidez.

A exposição não tem a pretensão de traçar a vida deste homem, mas despertar a atenção do público sobre uma de suas viagens menos conhecidas, sua descoberta da Ásia, mais precisamente do Japão em 1934.

O Japão de Descamps e Desprez – Anos 90

Promovida pela CAIXA Cultural em parceria com o Consulado Geral da França no Brasil, a mostra apresenta o Japão dos anos 90 sob a ótica de dois grandes fotógrafos franceses da atualidade: Bertrand Desprez e Bernard Descamps. O paralelo com a exposição de Verger possibilitará ao espectador viajar no tempo e comparar a evolução e as diferenças do Japão de duas épocas diversas, separadas por seis décadas de história.

Desprez

Bertrand Desprez é o que se poderia considerar um "fotógrafo moderno", do Japão tecnológico e poético. Suas imagens procuram traduzir sua modernidade e a poesia de sua filosofia. Em busca disso, o artista costuma dar títulos a séries de seu trabalho como, por exemplo, "Aoba" e "As quatro Estações". No primeiro caso, ele apresenta o diálogo de um homem (diálogo imagético) urbano com uma árvore Aoba. As imagens provocam verdadeiro estranhamento e estimulam o espectador a buscar a ligação entre a tecnologia e a tradição.

Já na série "As Quatro Estações", ele se inspira num conto japonês, uma balada naturalista que tem como tema a adolescência. Quatro estações que evocam as emoções, os questionamentos, a energia do jovem japonês, bem como sua relação com os elementos naturais: água, terra, ar e fogo: o verão à beira-mar, a universalidade dos códigos adolescentes; o outono das montanhas de Hannamaki, longe de Tokyo, o Japão rural e agrícola; o inverno, perdido nos extremos de Hokaido; a primavera, a festa de Sakura, as cerejeiras em flor, a eternidade.

Descamps

Bernard Descamps afirma que realiza “imagens que não descrevem objetos, ou acontecimentos, imagens que não contam nada, mas que buscam desvendar os fragmentos do tempo". Estas palavras mostram sua preocupação com a passagem do tempo na fotografia, o estado em que elas registram o momento captado.

O Japão, para ele, foi uma primeira experiência, aquela de mostrar o homem e seu meio no que há de mais moderno, de mais urbano. Um andarilho errante pelas estradas deste belo país, de Tokyo a Kyoto, de Osaka a Fuji, Atama ou Nara, nestas megalópoles que perderam algumas de suas características, mas que também preservaram muitas delas, seu imenso patrimônio, seus templos, seus jardins, suas árvores.

Esta série é composta de fotografias tiradas no período de 1992-1995, no qual passou a explorar, com atenção à luminosidade, suas longas caminhadas, estes dias tristes nos quais muitas vezes nada acontece, mas que deixaram registradas a energia do local, os breves instantes de pura alegria.

Serviço:

O quê: exposições “O Japão de Pierre Verger – Anos 30” e “O Japão de Descamps e Desprez – Anos 90”
Quando: de 19 de abril a 25 de maio, de terça a domingo, das 9h às 21h
Onde: CAIXA Cultural (Praça da Sé, 111)
Quanto: grátis
Abertura para imprensa e convidados: dia 18/04, às 19h
Recomendação de faixa etária: livre
Informações: (11) 3321-4400
Realização: CAIXA Cultural
Patrocínio: CAIXA Econômica Federal

Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural:
Tel.: (11) 8493-3662 e 3321-4400
paulamartinvi@yahoo.com.br
anapaularogers@uol.com.br
remaisp02@caixa.gov.br