11.2007
Carlos Reichenbach exalta seu imaginário da periferia em debate de "Falsa Loura"
40º Festival de Brasília do Cinema do Cinema Brasileiro
“A periferia no meu filme é a metáfora do humano”, afirmou o cineasta sobre o longa-metragem, que foi aplaudido em cena aberta pelo público do Cine Brasília
O diretor Carlos Reichenbach (Filme Demência, Anjos do Arrabalde, Garotas do ABC) debateu com elenco, equipe e público na manhã deste domingo, no 40º Festival de Brasília, o seu mais recente longa-metragem, FALSA LOURA, estrelado por Rosane Mulholland, Maurício Mattar e Cauã Raymond, em que retoma o universo proletário feminino para contar a história de Silmara, operária que se envolve com dois ídolos da música, retratando com leveza e bom-humor o universo kitsch das operárias.
O filme arrancou aplausos em cena aberta na cena em que Silmara (Mulholland) tem um sonho com o ídolo, o cantor romântico brega Luiz Ronaldo (Mattar), e legendas mostram a letra da música para o público cantar junto, como nos karaokês.
“Em Anjos do Arrabalde (1987), a periferia é a protagonista, inspirada no mundo real, nos depoimentos da minha cunhada e outros parentes. Garotas do ABC e Falsa Loura retratam o meu imaginário da periferia e dessas operárias. Não me venham cobrar a realidade”, disse o diretor. Reichenbach, conhecido por todos apenas como Carlão, conta que mudou o tom e o desfecho do filme por conta da atuação de Rosane Mulholland, atriz que está também em Meu Mundo em Perigo, em competição em Brasília, e O Magnata. “Rosane criou a personagem com tanta dignidade que era ofensivo derrubar essa dignidade no final. Por isso decidi terminar o filme com a Silmara de cabeça erguida”, explicou.
Reichenbach arrancou risos no debate quando contou sobre a cena de sexo entre Silmara e Bruno de André (Cauã Raymond), em que a imagem dos amantes é fundida com as ondas do mar. “Desde que eu virei dependente de Viagra, só filmo cenas de sexo com tesão e originalidade”, brincou.
Maurício Mattar contou como foi encarnar o cantor romântico brega Luiz Ronaldo: “Não esperava fazer o clichê do clichê do ídolo brega, mas adorei o resultado e a recepção do público aqui no festival. O clichê é ótimo quando vem com comicidade”.
A brasiliense Cibele Amaral, diretora do curta ENCICLOPÉDIA DO INUSITADO E DO IRRACIONAL, falou sobre o filme, em que Fortunato (Wolney de Assis), um bibliotecário de meia-idade prestes a ser demitido, resolve se vingar de sua superiora (Mallu Moraes). “Usei o preto-e-branco para ter a textura dos filmes de terror antigos e criar essa tragicomédia. O espectador pode rir do filme, mas o Wolney precisou viver com toda a intensidade o drama do personagem”, disse.
O paulista Fernando Coimbra debateu o seu curta, TRÓPICO DAS CABRAS, sobre um argentino que vaga com sua namorada pelas estradas de diversas cidades brasileiras em plena crise de relacionamento. O filme tem uma exuberante fotografia de Lula Carvalho, de Tropa de Elite. “Procurei um bom ator brasileiro que ainda não fosse conhecido do grande público e encontrei um argentino, o Victor Carrizo, que era perfeito para o papel. Foi daí que resolvi manter a narração em castelhano, com legendas”.
Hoje à noite serão apresentados os curtas Tarabatara, de Julia Zakia, e Eu sou assim – Wilson Batista, de Luiz Guimarães de Castro, seguidos do longa Chega de Saudade, de Laís Bodanzky.
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