10.2007
EDITORA BRASILIENSE LANÇA CAIO PRADO JR.: UMA TRAJETÓRIA INTELECTUAL
Editora Brasiliense comemora centenário
do fundador com o lançamento da obra “Caio Prado Jr.: uma trajetória intelectual”
Um dos maiores intelectuais do Brasil, cuja obra influenciou historiadores
como Florestan Fernandes, Celso Furtado, Manuel Correia de Andrade
e Sérgio Buarque de Holanda, Caio Prado Jr. será homenageado pela Editora Brasiliense com o lançamento da obra “Caio Prado Jr.: Uma trajetória intelectual”, de Paulo Iumatti. A noite de autógrafos será no dia 17 de outubro, às 19h30, na Livraria Cultura (Conjunto Nacional, Avenida Paulista, 2073).
São Paulo, 15 de outubro de 2007 — “Nem é sem riscos, e tão pouco sem conseqüências graves, que um homem de pensamento malbarata o que de mais precioso ele tem, e que é precisamente esse pensamento; que lhe retira o fio cortante, que o embota com concessões de toda ordem. Cada transigência, toda a acomodação de ordem financeira, social ou outra qualquer, representa uma amputação do espírito; não há talento, não há inteligência por mais vigorosa que seja, capazes de resistir muito tempo a uma tal mutilação continuada e sistemática das fontes vivas da inspiração e da produção intelectual.”. A frase, de Caio Prado Jr., ilustra o cerne do pensamento crítico de um dos maiores intelectuais brasileiros e abre a obra “Caio Prado Jr.: Uma trajetória intelectual”, de Paulo Iumatti, que será lançada no dia 17 de outubro, às 19h30, na Livraria Cultura (Conjunto Nacional, Avenida Paulista, 2073). Escrita em artigo por ocasião da morte de Monteiro Lobato, a frase de Caio Prado Jr. cobrava dos intelectuais brasileiros uma postura de independência e de intervenção ativa nos grandes embates da opinião brasileira.
Com um recorte temporal não linear, Paulo Iumatti começa por abordar o significado da obra de Caio Prado Jr. na historiografia brasileira, com uma visão geral da principal obra do historiador, Formação do Brasil Contemporâneo. No segundo capítulo, o autor explora o percurso intelectual e político de Caio Prado Jr., com foco especial em aspectos que ajudam a entender o livro Formação do Brasil Contemporâneo. O terceiro e quarto capítulos trazem o ambiente sociocultural e os estudos que o historiador vivenciou quando criança e adolescente e sua visão sobre a estruturação da vida científica no Brasil. Iumatti disserta, no quinto capítulo, sobre o período em que Caio Prado Jr. estudou direito e faz também uma análise de primeiro livro publicado, “Evolução política do Brasil”, de 1933. A evolução intelectual e política de Caio Prado Jr. e seu significado social formam a matéria-prima do sexto capítulo. Na seqüência, um balanço da inserção do historiador no debate político e intelectual nas últimas décadas de vida e considerações sobre a personalidade de Caio Prado Jr. e sua postura frente à importância que adquiriu como intelectual e figura pública.
“Sobre a pluralidade de temas sobre os quais me debrucei nessa biografia intelectual não exclui a abordagem de fatores de ordem pessoal. A exclusão seria possível, mas empobreceria o alcance do trabalho, já que o público e o privado estão, nesse momento muito imbricados. No que se refere à complexa e polêmica relação entre vida e obra, devo alertar que longe de pretender explicar a obra de Caio Prado Jr. por sua biografia, ou vice-versa, meu objetivo foi tão-somente esboçar os principais traços de sua trajetória de vida sem perder de vista o que podem fornecer para a compreensão da fortuna intelectual do escritor e da trajetória do militante político”, afirma Iumatti, acrescentando que a leitura da obra de Caio Prado Jr. é fundamental para entender o país. A obra conta com fotos, depoimentos e reproduções de documentos - imagens preciosas da vida do intelectual.
Trechos da obra “Caio Prado Jr.: Uma trajetória intelectual
(…) “A compatibilidade de sua abordagem com a da historiografia internacional, embora não reconhecida de modo explícito, parece ter desbravado, contudo, para gerações de professores e pesquisadores, um caminho para o diálogo crítico. Entretanto, além do diálogo que estabelecia com a historiografia internacional, de sua abertura de caminhos, da inserção em diversas redes de debates e do grau de elaboração metodológica que atingiu, o que trazia Formação do Brasil Contemporâneo?…”
(…) “Até onde sabemos, é umas das primeiras vezes em que Caio Prado Jr. formula claramente a temática genérica do sentido da colonização, que seria desenvolvida nos manuscritos da prisão — em particular o texto Zonas tropicais da América, escrito em 1936 — e que abriria o livro Formação do Brasil contemporâneo…”
(…) “Evidentemente, no tocante à análise da cultura estava no foco das atenções de Caio Prado Jr. a avaliação crítica das abordagens de sociólogos e antropólogos brasileiros, em especial de Gilberto Freyre. Para Caio Prado Jr., e em consonância com certos traços da atmosfera intelectual dos anos 1920, a compreensão da cultura brasileira envolvia a apreensão da especificidade de uma sociedade extremamente heterogênea e instável, ainda em estado de amalgamação e fusão cultural. Discordava, portanto, em grande parte, do enfoque de Freyre — que via sobretudo em Casa-grande & Senzala, a criação, no período colonial, de formas culturais e sociais estáveis, fazendo um uso muito emblemático das generalizações…”
(…) “Em sua trajetória, Caio Prado Jr. conhecera características da vida intelectual e política brasileira que levavam a uma atenção redobrada em relação a tais riscos: o personalismo e o apego aos esquemas estáveis de pensamento, fossilizados do impulso criativo, conforme já assinalara Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil. Escrever, dizia em carta de 11 de maio de 1946 ao militante Evaldo da Silva Garcia, não era fazer bonito, procurar louvores ou mandarinatos…”
Paulo Teixeira Iumatti
Doutor em História e História Social pela Universidade de São Paulo (USP), Paulo Teixeira Iumatti realizou pós-doutorado no Instituto de Estudos Brasileiros da USP (IEB-USP), ingressando no corpo docente, em 2003. Professor de história das idéias, das instituições e da historiografia, Iumatti é autor de diversos artigos publicados na imprensa nacional e em revistas acadêmicas. Em 1998 publicou, pela Editora Brasiliense, a obra “Diários políticos de Caio Prado”. Além de lecionar no Departamento de História da Universidade de São Paulo, Iumatti é editor da Revista IEB.
Autor: Paulo Teixeira Iumatti
Número de páginas: 250
Preço: R$ 54
Caio Prado Jr.
Historiador, geógrafo, escritor, político e editor brasileiro, Caio Prado Jr. nasceu na cidade de São Paulo, em 1907. Formado em Direito pela Faculdade do Largo São Francisco, em 1928, Caio Prado Jr. teve importante atuação política no Brasil, especialmente nas décadas de 1930 e de 1940, tendo participado das articulações para a Revolução de 1930. Em 1933 publicou a obra Evolução Política do Brasil. Em 1934, participou da fundação da Associação dos Geógrafos Brasileiros (AGB), primeira entidade científica de caráter nacional, com os professores Pierre Deffontaines, Luis Flores de Morais Rego e Rubens Borba de Morais.
Em 1934, após retornar de uma viagem à então União Soviética — época da ditadura de Stálin — e a países da Cortina de Ferro, publicou “URSS - um novo mundo”, edição que foi apreendida pela censura do governo Getúlio Vargas. No mesmo ano, ingressou na Aliança Nacional Libertadora. Em 1942, publicou a obra Formação do Brasil contemporâneo. Em 1945 foi eleito deputado estadual pelo Partido Comunista Brasileiro e constituinte, em 1947, tendo o mandato cassado quando o partido foi considerado ilegal. O intelectual dirigiu o vespertino A Platéia e fundou, com Arthur Neves e Monteiro Lobato, a Editora Brasiliense. Posteriormente lançou a Revista Brasiliense, editada entre 1956 e 1964. Em 1966, Caio Prado Jr. foi eleito Intelectual do Ano pela conquista do Prêmio Juca Pato, concedido pela União Brasileira de Escritores, devido à publicação de “A revolução brasileira”.
Obras: Evolução política do Brasil (1933); URSS - um novo mundo (1934); Formação do Brasil Contemporâneo (1942); História Econômica no Brasil (1945); Dialética do Conhecimento (1952); Evolução Política do Brasil (1953); Diretrizes para uma Política Econômica Brasileira (1954); Esboço de fundamentos da teoria econômica (1957); Introdução à Lógica Dialética (1959); O Mundo do Socialismo (1962); A Revolução Brasileira (1966); Estruturalismo de Lévi-Strauss - O Marxismo de Louis Althusser (1971); História e Desenvolvimento (1972); A Questão Agrária no Brasil (1979); O que é Liberdade (1980); O que é Filosofia (1981) e A Cidade de São Paulo (1983).
Editora Brasiliense
Dirigida por Danda Prado e Maria Teresa B. de Lima, a Brasiliense é uma das empresas editoriais mais importantes do Brasil. Fundada em 1943 pelo intelectual Caio Prado Júnior, a Brasiliense se tornou um marco no mercado editorial. Associada ao melhor da formação cultural brasileira, a editora alinha a sua atuação ao pensamento crítico nacional. A Editora Brasiliense conta com um catálogo diversificado com mais de 1.500 livros de autores como Franz Kafka, Gilles Deleuze, Yukio Mishima, Le Clezio, Claude Olivenstein, Renato Ortiz, Sergio Buarque de Holanda, Perry Anderson, Walter Benjamin, Octavio Ianni, Nicolau Sevcenko, Cassandra Rios, Fernanda Pompeu, Paulo Freire, Monteiro Lobato, Marilena Chauí, John Fante, Antonio Bivar, Pier Paolo Pasolini, Jair Ferreira dos Santos, Maquiavel, William Shakespeare, Ganymédes José, Gilberto Dimenstein e Florestan Fernandes, entre escritores renomados da literatura nacional e internacional.
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Coleções
Primeiros Passos: Dedicada a temas da atualidade, a coleção conta com mais de 325 títulos, que traduzem a diferentes gerações temas e conceitos que são objeto de debate na sociedade nos campos da política, inovações científicas, movimentos artísticos, antropologia, sociologia e psicologia.
Encanto Radical: Com mais de 70 títulos, a coleção de biografias traz personalidades como Mao Tsé, Karl Marx, Albert Einstein, Noel Rosa, Albert Camus, Evita, James Dean, Barão de Itararé, Cruz e Souza, Jack Kerouac e Jesus.
Alethéia: Destaca sem preconceitos histórias de amor, conflitos e sentimentos entre mulheres.
SP 21: Um panorama dos caminhos da metrópole no novo milênio por textos de Aldaíza Sposati, Márcio Pochmann, Marcos Drumond Júnior e Aureliano Biancarelli.
Tudo é História: São 152 títulos que trazem um farto acervo de história Antiga, Medieval, Moderna, Contemporânea, do Brasil (Colônia, Império e República) e da América, além de pré-história. Biografias de nomes como Nietzsche e Walter Benjamin compõem a coleção.
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